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TrekkerCultura® - Boletim Cultural - N. 22 |
| Frota Estelar Brasil |
| Boletim publicado em 2004 |
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Paixão
pelo Mar O dr. McCoy então
vai à cabine do capitão para consolá-lo, levando-lhe um drinque. Nesta cena,
Kirk cita alguns versos de um poema: " tudo o que peço é uma nave e uma
estrela para me guiar". Ele acrescenta que, embora ele não tenha mais a
água e o vento, como os capitães de antigos navios, ainda possui o mesmo
sentimento de apego à sua nave. O mesmo verso foi
dito por Kirk no filme "Jornada nas Estrelas V - A Fronteira Final"
(Star Trek V - The Final Frontier). Quando Kirk, McCoy e Spock antecipam a volta
das férias e, numa nave auxiliar, aproximam-se da Enterprise, o capitão diz as
mesmas palavras. Imediatamente, o dr. McCoy diz que o verso foi escrito por
Melville, mas Spock o corrige, dizendo que o autor é na verdade John
Masefield. McCoy então pergunta se ele tem certeza disso, e Spock responde
que conhece muito bem os clássicos. Bem, pode ser que nosso querido vulcano
não conheça canções populares como "Row, row, row your boat",
conforme observou o doutor (vamos falar sobre isso adiante), mas ele acertou: o
poema é realmente de John Masefield. Herman Melville, que o doutor
mencionou, é autor de Moby Dick, obra da qual já falamos no boletim número 16
doTrekker Cultura. Veja a seguir o
poema na íntegra, no original, seguido de uma tradução livre.
SEA FEVER I must go down to
the seas again, I must go down to
the seas again, I must go down to
the seas again,
Preciso lançar-me
aos mares novamente, Preciso lançar-me
aos mares novamente, Preciso lançar-me
aos mares novamente,
A música que
nossos três queridos personagens cantam ao redor de uma fogueira é uma
canção popular, chamada "Row, row, row your boat". A letra diz o
seguinte: Row, row, row your
boat
O episódio "The
Ultimate Computer" (O Computador Supremo), do segundo ano da série
clássica, nos apresenta ao supercomputador o M-5, supostamente capaz de
substituir um comandante de nave estelar. A nave Enterprise é escolhida para
testar a avançada máquina, que no fim mostra não ser tão perfeita assim... O
capitão Kirk, ao ver-se substituído por uma máquina, sente-se inútil,
especialmente após ser chamado de "capitão Neblina" pelo almirante
Wesley - apelido dado aos comandantes inúteis pelos alunos da Academia da Frota
Estelar.
O
laureado poeta inglês John Masefield
(1878-1967) tinha apenas 22 anos quando escreveu "Sea
Fever" (Paixão pelo Mar), o poema citado pelo capitão Kirk nas
duas ocasiões. Ainda muito jovem, aos 13 anos, ficou dois anos como aprendiz a
bordo de um navio escola, desenvolvendo grande paixão pelo mar. Morou algum
tempo nos Estados Unidos e depois retornou à Inglaterra, determinado a
tornar-se um grande escritor. Começou a trabalhar num jornal, mas nunca se
esqueceu dos anos em que passou no mar e freqüentemente tratou do tema em seus
poemas e contos. Outros temas tipicamente ingleses recorrentes em sua obra eram
a caça à raposa, corridas e a vida ao ar livre. Seu primeiro livro de poemas,
Salt-Water Ballads, foi lançado em 1902.
By John
Masefield
to the lonely sea
and the sky,
and all I ask is a
tall ship and a star to steer her by,
and the wheel's
kick and the wind's song and the white sail's shaking,
and a grey mist on
the sea's face and a grey dawn breaking.
for the call of the
running tide is a wild call
and a clear call
that may not be denied;
and all I ask is a
windy day with the white clouds flying,
and the flung spray
and the blown spume, and the sea-gulls crying.
to the vagrant
gypsy life, to the gull's way and the whale's way
where the wind's
like a whetted knife;
and all I ask is a
merry yarn from a laughing fellow-rover,
and quiet sleep and
a sweet dream when the long trick's over.
PAIXÃO PELO MAR
ao mar solitário e
o céu,
e tudo o que peço
é uma nave e uma estrela para me guiar,
e a força da roda
do leme e a canção do vento e a vela branca se agitando,
e uma bruma cinza
na superfície do mar e um alvorecer cinzento.
pois o chamado da
maré é feroz
e um claro chamado
que não deve ser ignorado;
e tudo o que peço
é um dia com vento com as nuvens brancas passando,
e as gotículas
arremessadas e a espuma soprada, e o som das gaivotas.
Para a vida
errante, nômade, como a da da gaivota, da baleia
onde o vento é
como uma faca afiada;
e tudo o que peço
é a história divertida de um companheiro risonho,
e um sono
tranqüilo e bons sonhos quando a longa brincadeira terminar.
Gently down the stream.
Merrily, merrily, merrily, merrily,
Life is but a dream.
Reme, reme, reme seu barco
Gentilmente, rio
abaixo
Alegremente,
alegremente, alegremente, alegremente
A vida é apenas um
sonho
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